
Se eu conseguisse alguma vez identificar o que me fazes sentir... Se eu pudesse por um só momento saber o que estás a pensar...
Se fosse possível esquecer-me de mim e entregar-me ao que apenas vislumbro, mas que me revolve as emoções e as faz submergir em águas revoltas, espalhando-se nos braços abertos de corais tão belos quanto fatais...
Se me fosse permitido mergulhar contigo nas águas de um oceano sem fim e de dedos entrelaçados nos teus, presos com algas, deambulasse pelo fundo do mar em busca de tesouros perdidos...
Se as palavras a mais pudessem ser apagadas da memória e não ficassem a calcar sentimentos em constante turbulência... Eu sorriria mais uma vez só para ti e contigo, partiria à descoberta do eu que perdi na última viragem do pensamento...
Se eu soubesse o que se esconde do outro lado do espelho, cravaria nele o punhal da ânsia, partindo-o e desnudando o segredo encoberto...
Se eu não me penalizasse por palavras ditas e não ditas, não segredadas, rasgadas, sentidas, choradas...
Se eu…
Se tu…
Se…
PARA TI...

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