Perfume...

Agora, enquanto dormes num sono calmo, eu sinto a brisa que entra pela janela fazendo esvoaçar a cortina e coloco numa folha de papel, momentos vividos, esperados, sentidos…
Recordo o encontro de bocas que em uníssono e silenciosamente, falaram de emoções sentidas, na ânsia do anoitecer, o nosso anoitecer…
No entrelaçar de línguas sequiosas, o sentimento divino - profano de corpos que sabiam já pertencer-se e a noite, trouxe consigo as palavras sussurradas, expiradas, inspiradas, sentidas, soltas e finalmente reveladas…
As paixões elevaram-se e como vulcões em erupção derramaram a sua lava em corpos suados, encontrados, envolvidos num único ser e mãos que foram deslizando na tua pele, na minha, encontrando-se e desnudando centímetro a centímetro todos os segredos escondidos, revelando mistérios que terminaram em penetrações de almas e de corpos… Aromas que se fundiram e entrançaram, como pernas, braços, bocas e desejos…
Ficaria aqui deitada olhando-te apenas, esta noite, amanhã e depois, absorvendo na memória cada detalhe do teu corpo meio coberto pelo alvo lençol e do teu braço pousado na minha coxa, numa carícia de cetim…
Acordar-te-ei com lábios que deslizam na pele quente de paixões sentidas e entregar-nos-emos de novo… E mais uma vez, e outra...
E com a brisa da madrugada que entra pela janela, os nossos corpos subirão a espiral orgásmica do sentir, sonhar, realizar, do ter, do ser e reviveremos então o que dissemos, renovando cada beijo, saboreando o mel de nossas bocas e corpos, sabendo que este será apenas o início…
